Minhas pesquisas

Minhas pesquisas se orientam a compreender como religião e formas de vida pública se constituem no Brasil contemporâneo. Minha agenda atual se desdobra em duas frentes principais. Outros trabalhos apresentados abaixo ajudam a reconstruir a trajetória que me levou a essas questões.

Pesquisas atuais

Religião, linguagem e vida pública

Como formas de linguagem participam da constituição do religioso, do público e do internacional?

Nesta linha de pesquisa, investigo de que modo formas semióticas e gêneros discursivos participam da constituição de atores políticos, relações e formações sociais no Brasil contemporâneo. Interessa-me compreender a linguagem como uma dimensão própria da ação social, não apenas como meio de representação de posições e identidades previamente constituídas.

Investigo, em particular, transformações nas formas sociais do cristianismo e as relações entre religião, democracia e pluralismo. Nessa invetigação, aproximo antropologia linguística e teoria social.

Agro/cristianismo no Brasil

Como o cristianismo se produz nos espaços associados ao agro no Brasil?

Em pesquisa no Observatório da Religião e Interseccionalidades, partimos do pressuposto de que na última década o agro e autodeclarados cristãos se conectaram de diferentes maneiras no Brasil. No Congresso, formaram uma coalizão que, vista de fora, parece tender à estabilidade. Isso também se aplica a pessoas que se autodeclaram cristãs nos espaços do agro?

Para responder à pergunta, usamos técnicas de pesquisa da Ciência de Dados, que nos possibilitarão apresentar graficamente as fronteiras religiosa e agro no Brasil. Também estamos fazendo pesquisa de campo em cidades no Cerrado.

Trajetória de pesquisa

Pluralismo, religião e direitos

Como religião e direitos se relacionam no Brasil e no mundo contemporâneos?

Desde 2015 abordo as intrincadas relações entre religião e direito de diferentes ângulos, como o do Direito Internacional e o da Antropologia Social. Desse trabalho resultaram minha tese de doutorado, defendida na Faculdade de Direito da USP em 2017, e uma série de artigos acadêmicos, artigos de opinião e capítulos de livro, produzidos sobretudo no âmbito de dois projetos temáticos que integrei no Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), com a supervisão de Paula Montero e financiamento da Fapesp.

Um dos dois projetos temáticos, intitulado Pluralismo religioso e diversidades no Brasil pós-Constituinte, está em andamento. Vinculada a esse projeto, desenvolvo uma pesquisa de pós-doutorado sobre religião e direitos na disputa pela democracia brasileira, com financiamento da Fapesp (Processo n. 2022/16449-6).

Esta linha de pesquisa está na origem de meu interesse atual pelos modos como categorias e formas de linguagem participam da constituição do religioso, do político e do público.

Regulação da força no direito internacional

Um velho professor de todo o mundo no direito chamado Norberto Bobbio afirmou, em um escrito de 1965, que a força é o conteúdo do direito. Se ele está certo, não há problema mais privilegiado do que a regulação da força nos estudos jurídicos.

No século XX, a dimensão internacional dessa regulação se tornou mais importante à medida que os Estados usaram mais o direito internacional e tratados multilaterais para estabelecer quem, quando, para que e como pode recorrer à força. Não é preciso grande esforço para perceber que se trata de questão sociopolítica desafiadora e de um problema intrincado, logo, interessante para se analisar.

Sou suspeita? Sim. Ele tem sido meu objeto de interesse em pesquisa no Direito desde a graduação. Eu me iniciei na pesquisa com um trabalho sobre a convenção para a proibição de minas antipessoais, ou Convenção de Ottawa de 1997. Depois, no mestrado, estudei a reescritura do direito internacional humanitário pelos Estados Unidos no que eles chamaram de guerra contra o terrorismo.

Desde então me interessa analisar como as pessoas agem por meio do direito internacional e como o direito internacional age no mundo. Hoje me interessa estudar o direito internacional na vida social com foco em sua dimensão produtiva.

O interesse pela dimensão produtiva do direito internacional — pelos modos como atores agem por meio dele e como ele próprio participa da constituição de relações, categorias e formas de ação — está na origem de questões que posteriormente passei a investigar também no estudo da religião, da linguagem e da vida pública.

Outros trabalhos